sexta-feira, 24 de março de 2017

Opiniões XII: "Cancro com Humor" - Um movimento de exelência


Olá, Olá! Antes de mais devo pedir desculpa a algumas pessoas que fizeram comentários cá no blog e que não apareceram publicados. Sem eu perceber a razão, esses comentários iam diretamente para Spam, mas agora penso que o problema está resolvido.

Regresso ao espaço reservado para outros autores. Coisas que vou encontrando na net, ou que me chegam através de comentários e que eu considero dignas de registo no PDDSE. Já vamos no 12º post nesse âmbito.
Desta vez não se trata tanto de uma opinião, será mais um desabafo de alguém que criou um projecto/movimento intitulado Cancro com humor e que está a ter enorme sucesso e ainda bem, porque a ideia é divinal. A autora, Marine Antunes, é uma jovem que passou por momentos muitos delicados no que à saúde diz respeito e proporciona-nos no seu blog e FB belas reflexões da sua vida enquanto utente dos serviços de saúde, provando que com humor e alto astral é mais fácil lidar com a doença. Mostra-nos o outro lado, o lado do doente e pelo menos neste artigo, toca-nos (e bem) na ferida. Só por isso achei que faria todo o sentido ampliar um pouco mais as visualizações, para que principalmente nós, enfermeiros conhecêssemos esta perspectiva.
Depois do seu desabafo, apareceram alguns iluminados a criticar. Parece-me que enfiaram bem o barrete. Por isso acho que a sua resposta a essas pessoas que não sabem lidar com críticas, seria também de importante leitura e aparece num segundo texto. 
Beijos e abraços. G.


APELO,
Queridas enfermeiras, por amor de Deus, DEIXEM-ME DORMIR:
Juro que se há profissão que admiro é a vossa. Tenho muitos amigos enfermeiros e uma ótima relação convosco. Defendo mesmo que a vossa profissão é das mais nobres que conheço e acho que o vosso esforço não é valorizado. Pergunto-me muitas vezes, como conseguem manter-se de pé tantas horas e de forma tão disponível.
Em relação às enfermeiras e enfermeiros daqui do Santa Maria mantenho essa opinião. A maioria de vós tem um trato e uma simpatia louvável. Não tenho nada a dizer em relação a isso. São todos muito simpáticos comigo mas preciso de vos falar de uma coisa muito importante - do silêncio que não fazem.
Até à meia-noite é um festival. Juro-vos que adoro festivais mas em Março está mau tempo e não me apetece. Preferia dormir. Elas são gargalhadas estridentes, discussões imensas (a sério, muitas delas davam um perfeito guião de uma novela manhosa), são gritos e chamamentos tirados de um sketch: "OH ELSAAAA! Traz-me uma almofada!!!!!!!!', são portas a bater, são um sem fim de coisas que estão a conseguir uma proeza:
endoidecer-me.
Passa a meia-noite. Já estou num stress sem fim. A coisa acalma, há a mudança de turno e ficam poucos de vocês. Mas depois são as luzes ligadas e os barulhos típicos do hospital que não me deixam dormir (Tentei usar tampões, um amigo bondoso ofereceu-me ontem. Adivinhem. Não funcionam! ) e ninguém tem culpa, faz parte, entendo isso.
Mas o que não faz parte é esquecerem-se onde estão. Esquecem-se que estamos quatro doentes numa maca alapados no corredor e que precisamos de dormir.
4, 5, 6 da manhã e eu já chorava de desespero. Perguntam-me se me dói a cabeça. Juro que não sei avaliar se me dói a cabeça por conta da porra da inflamação ou do vosso extremo barulho. Só sei que preciso de dormir. E porquê?
Porque estou no corredor e assisto a tudo. Por exemplo, à vossa agitação anormal desta noite e aos comentários que fazem porque a senhora do quarto perto da minha maca, morreu. E vejo o senhor a trazer a maca, a levar o corpo e eu que não queria ter assistido a isto. Queria ter estado a dormir para não assistir a isto.
Deixem-me dormir. Não é mau feitio. É sono.



Bom dia! Ainda sem resposta nem alta. Enquanto aguardo, gostaria de partilhar convosco algo que tem mexido comigo.
Depois de ter escrito o post sobre o barulho dos corredores (post escrito com argumentos e que resultou da minha própria vivência), surgiu uma discussão no facebook. A meu ver, uma discussão positiva. Fiquei verdadeiramente feliz por perceber que estava, de alguma forma, a promover o debate. Ouvi tantos comentários interessantes, tantos testemunhos de doentes e enfermeiros que concordando ou discordando comigo, deram a sua válida e importante opinião.
Eis o que me entristece: que algumas pessoas escolham ficar enfurecidas comigo, dizendo que "é uma vergonha ter atacado os enfermeiros", que "não deveria ter falado do barulho mas sim do excesso de macas no corredor", etc etc ( e tantas outras coisas bonitas), ao invés de perceberem que se ninguém falar, que se for tabu, nada melhora. Foi exatamente por isso que criei este projeto. Porque não suporto que não se possa dizer as coisas como elas são.
Primeiro: Eu nunca ataquei ninguém. Nunca. Comecei, aliás, por elogiar o trabalho dos enfermeiros que admiro. Meus caros. Os meus pais também me criticam e gostam de mim na mesma. Uma crítica a algo que aconteceu e acontece SIM não deveria ser uma afronta. Deveria ser um mote de reflexão. E enquanto tiver cabeça para pensar (mesmo que inflamada), irei sempre dar a minha opinião. Sempre. Mesmo que isso cause tanto constrangimento. Se tivesse escrito um texto cujo título fosse " os enfermeiros têm asas", era uma heroína". Sendo assim, sou uma cretina.
Segundo: Eu não "deveria" nada. Isso não pode ser um argumento. Escrevo sobre o que me apetecer. Poderia ter-me apetecido escrever sobre a unha do meu pé esquerdo. Ou do excesso de camas. Mas apeteceu-me escrever sobre o barulho. Sobre ética. Porque foi isso que senti, porque foi isso que me melindrou. Claro que MUITO mais importante do que isto é o facto de existirem macas onde não deveriam estar. Mas isso não invalida que não possa falar sobre o barulho que também existe. Atacarem-me porque falei de "a" quando deveria ter falado de "b" é só estúpido. Não escrevo a pedido. Escrevo sobre o que sinto.
Terceiro e último : falar sobre as coisas é bom! Iniciar um tema importante é bom! Falar por aqueles que não podem e que não se conseguem exprimir é bom! Melhorar é bom! Olhar para o doente como pessoa é bom! Evoluir é bom!
Era tão bom que tivéssemos a capacidade de olhar para nós mesmos, vermos as nossas falhas e não detestarmos ninguém por isso. Só se cresce assim. Lamento se alguém se sentiu ofendido mas não retiro uma palavra do que disse. Do bom e do mau. E se há tanta polémica só porque exprimi a minha opinião, por escrito, só prova que há tanto a fazer.
Serei sempre a parva que não é indiferente ao mundo que a rodeia e escreverei sempre, até que me cortem os braços.
Marine.

domingo, 19 de março de 2017

Constatações... fascículo 1


Sem querer generalizar, é curioso que os colegas que mais batem o pé pelos turnos de 12h e até de  24h (!!!), são os que mais tempo passam sentados... Porque será?

quinta-feira, 2 de março de 2017

2ª Parte - Entrevista do PDDSE à Enfª Graça Silveira Machado, vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros


2ª Parte  
  

    11. Qual era o seu estado de espírito no início de funções na OE e como o caracteriza actualmente, face ao projecto e metodologia da Bastonária? O que mudaria?

Acima referi o quanto desejei vencer estas eleições e o quanto trabalhei para isso. Acreditava e acredito que está na altura de termos uma OE mais interventiva, próxima dos enfermeiros. Trabalhar no terreno e com os enfermeiros, crescermos como classe. Fiquei com a pasta dos cuidados saúde primários o que  me motivou ainda mais, pois acredito que os cuidados de saúde primários são a chave para a resolução de grande parte dos problemas do nosso SNS. É necessário rapidamente aproveitarmos o momento actual para trabalharmos várias áreas. É necessário pegarmos no que já evoluímos, mas  trabalharmos em conjunto num rumo comum. Por exemplo na área das feridas. O que se evoluiu nestes últimos anos na prevenção e tratamento de feridas é estrondoso, mas depois o que se vê é cada um a trabalhar para a sua ilha. Juntar as associações desta área e seus peritos, juntarmos os seus conhecimentos e criar uma linha condutora para todos é um objectivo mais que prioritário. Cabe à Ordem esta unificação de saberes, de boas práticas, de cuidados de qualidade. Este é um exemplo pequeno do que a OE pode fazer na vertente da aproximação.
Não gostei logo de início da metodologia da Sra Bastonária. A polémica da Eutanásia mostrou-me que a Sra Bastonária conhece uma enfermagem diferente da minha. E eu trabalho há 22 anos.
Somos uma classe de profissionais com a pior auto estima possível e nesse aspecto o nosso departamento de comunicação gerido pelo Filipe Mendonça fez um magnífico trabalho quer com os enfermeiros, quer com as pessoas que estão em casa, que serão um  possível utente e que ouvem falar pela primeira vez, com muita frequência nos media, nas redes sociais, em enfermeiros e na sua qualidade enquanto profissionais.
Mas não chega, como também não chega estar sempre a dizer que temos falta de enfermeiros e que as dotações seguras não são cumpridas. Não chega!!! E não justifica tudo o que acontece no SNS. Precisamos de consistência nos contextos de prática clínica para afirmarmos o nosso valor. O mediatismo  suportado pelo populismo exacerbado ao seu limite nunca foi a minha forma de estar na vida pelo que sempre preferi as abordagens mais directas e que me garantam resultados positivos e visíveis a médio e longo prazo. As nossas acções tem que se centrar na nossa profissão pois só assim conseguiremos algo, numa estratégia consistente e suportada por relações de confiança que se criam e consolidam com o trabalho conjunto. Talvez  tenha uma visão errada desta forma de agir, mas não me revejo noutra. Temos tanto para trabalhar... por exemplo, algo tão simples e que não requer custos à tutela será a proposta da alteração do despacho do RNU (Registo Nacional de utentes), por forma a constar nesse Registo a indicação/inscrição do/no Enfermeiro de Família de cada utente e família (agregado familiar). É uma das coisas que vai reafirmar o papel do enfermeiro de família, reconhece-lo e dessa forma também termos dados estatísticos de quantos enfermeiros de família temos/precisamos. Trabalho  não falta e  motivação também não.



12. Na última AG a Bastonária não aceitou nenhuma proposta dos enfermeiros presentes porque "este é o plano de actividades da minha equipa". À data não se opôs. O que aconteceu para "deixar de fazer parte da equipa"?

Na última AG eu não gostei nada do que se passou. Não havia necessidade e muito menos a postura da Sra Bastonária não foi a mais correcta. A confusão foi tal que intervir ia ser pior. Ali já ninguém se entendia ou queria ouvir fosse o que fosse. Porém posso lhe dizer que no dia seguinte tive o cuidado de ligar a algumas pessoas a pedir desculpa pela minha parte como foi o caso da Enfª Maria Augusta (ex-bastonária). Porém também me apercebi que as AGs não são o que deveriam ser, pois os enfermeiros  não aparecem. A importância da AG fica reduzida. Quem lá está só tem dois lados para estar. Do lado da equipa da Ordem, os “a favor de tudo “ou do lado do “contra tudo”. Quem é “a favor de tudo “ é quase “comprado” para lá estar e o objetivo é serem em número suficiente para tudo ser aprovado (este ano temos um encontro de órgãos programado para o dia antes / durante / e depois da AG- assim acredita-se que os “a favor de tudo” serão pelo menos uns 200...) os do lado contra, nem abrir a boca. Por sua vez os “contra tudo” vem ao palco para dizerem que tudo está mal... na verdade ninguém está lá para realmente falarem/discutirem enfermagem. Ouvem-se apenas a si mesmos!!!
Não deixei de fazer parte da equipa. Mesmo em equipa não temos que estar sempre de acordo. Nem temos que fazer o que nos mandam constantemente como se não tivéssemos cabeça para pensar. E também não temos que baralhar os relacionamentos pessoais com os profissionais. Quem me tirou da equipa foi a Digníssima Bastonária , inclusive utilizando uma “baixa” estratégia de falar mal de mim, divulgando assuntos pessoais e humilhando-me. O problema é mesmo esse!! É que a Digníssima Bastonária entende este projecto como sendo seu. Eu quero, eu posso, eu mando! E não aceitar críticas, ser contrariada, não apoiar, são motivos mais que suficientes para passarmos de excelente a péssima.


13. Na TVI foi denunciado que a Bastonária foi suspensa, decorrente de um processo disciplinar, em Agosto de 2015. Sabia desta suspensão quando aceitou fazer parte da equipa da então candidata Ana Rita Cavaco?

Sim é verdade. Devido ao processo da ARS a Enfª Ana Rita teve um mês de suspensão que decorreu no mês de Julho, penso eu, pois quando acabou apresentou-se no seu novo local de trabalho, na ADOP (Autoridade antidopagem de Portugal) a 3 de Agosto de 2015. Segundo o que a  própria contava, era um processo disciplinar que lhe tinham levantado mas sem razão. Mais tarde vim a saber os pormenores, que tinha haver com assinaturas na folha de ponto em dias que não tinha lá estado, mas que o fez com autorização, denunciado por uma colega do seu centro de saúde na Graça.


14. A Bastonária afirmou também na TVI, aliás como anunciou na assembleia geral de 2016, que iriam solicitar a intervenção do Tribunal de Contas (TC) para avaliar as contas do anterior mandato? Esse pedido ao tribunal de contas foi feito? Quando?


Se o fez por escrito, por mim nada passou. Sei que falou particularmente /informalmente com alguém do TC mas mais que isso não. Nem até 17 Novembro de 2016 vi alguém do TC na OE.



15. Foi veiculado nas peças da TVI a existência de processos disciplinares a funcionários da OE. Na sua opinião o que justifica esse tipo de procedimento?


A Enfª Ana Rita refere que na sua opinião, na OE os contratos dos funcionários deviam ser de quatro anos, renováveis  ou não, pois cada equipdeve trabalhar com pessoas da sua confiança.. Assim a alguns funcionários foi feito o convite de saírem por acordo. Se aceitassem muito bem, se recusassem levantava processo disciplinar. Assim aconteceu com dois - uma advogada e o director financeiro, que por não aceitarem o acordo, levantou-lhes um processo disciplinar.


16. Na sua opinião qual vai ser o desfecho de todo este processo?


Não sou vidente. O que eu gostaria é que tudo fosse investigado e bem explicado e a verdade ganhasse . Que os Enfermeiros acordem e passem a ser mais interventivos, que deixem de ser treinadores de bancada e cuidem da OE que é de todos nós.
Não gostaria que o assunto morresse pela inércia e conformismo de cerca de 65000 Enfermeiros. De facto não nos conhecemos, mas preciso de dizer quem é a Graça e antes de ser vice presidente da Ordem dos Enfermeiros, sou pessoa, filha, mãe e enfermeira. Enfermeira  há 22 anos, bem disposta, trabalhadora, muito refilona mas que gosta muitos ser Enfermeira apesar de muitas desilusões.  Sou uma pessoa, sem nada de santa, mas longe do Diabo e que como muitas outras pessoas desta vida passou alguns maus bocados na sua esfera pessoal, que recorreu a  colegas e amigos para superar alguns problemas mas que nunca desistiu de nada e lutou e acreditou sempre em algo melhor. Na Ordem, foi nos últimos meses perseguida de uma forma humilhante e sem nexo... sem princípio... logo na Ordem, num projecto que acreditei que lutei muito por ele. Mas não sei estar calada e a minha cabeça pensa por si  e não gosto de ser “carneirada”. Se me expus, desta maneira e principalmente à minha família de certo não é apenas para me vingar. Essa vingança que falam será nos tribunais, pessoalmente com quem me difamou e me prejudicou.
Sou orgulhosamente enfermeira e garanto lhe que sou a pessoa mais decepcionada em toda esta situação.
Do que falei tenho provas e tentei que o CD me desse ouvidos a 19 de Novembro. A Digníssima Bastonária diz serem falsos, falsificados estes documentos que apresentei. Gostaria de saber como são falsos quando estão assinados por diferentes pessoas, quando há troca de e-mails para comprovar, pior, quando há despesas transferidas e extratos bancários que os comprovam. Espero sinceramente que os “amigos” da Digníssima Bastonária que trabalham em locais de grande relevância, como no ministério público e na autoridade tributária, e outros tantos locais, que não se lembrem de fazer desaparecer “papéis” ou outra magia qualquer. Alguns documentos já andaram espalhados pela Gago Coutinho com o tesoureiro e a contabilista a apanhá-los parecendo uma cena cómica de um filme dramático. Agora segue-se o DIAP e o ministério público. E por tudo isto  caro colega querem que eu  não exerça durante 5 anos. Um processo disciplinar triste e que se fosse publicado iria ainda ser pior para todos nós e para a nossa imagem. Estou disponível conforme referi para mostrar a quem quiser tudo, presencialmente, e assim poderão tirar  as suas conclusões.

17. É verdadeira a notícia do Correio da Manha, sobre o "bónus" de largas dezenas de milhares de euros (65 000 €) criado pelo último bastonário, como "compensação" pela saída? Ainda vigora esse bónus? Como o interpreta? E não acha coincidência a mais, esta notícia sair logo após a reportagem polémica da TVI sobre as eventuais irregularidades dos actuais responsáveis na OE?

Esse foi o dinheiro que  o sr Bastonário Germano Couto exigiu,, referindo-se ao que não lhe foi pago na OE como perdas remuneratórias, pois dizia que, para além do ordenado do centro de saúde, também era professor numa escola e esse excedente não lhe foi pago. Levou a proposta para reunião de CD e passou com o voto de qualidade do Bastonário (o voto de qualidade não pode ser em seu próprio proveito) e para piorar foi pago como ajudas de custo sendo aprovada a transferência para a conta do Enfº Germano com a assinatura do próprio e do tesoureiro (nesse mandato só se exigia 2 assinaturas). Ao Enfermeiro Germano na minha opinião pode ser lhe apontado vários “crimes” morais. A utilização exagerada do cartão MB é um dos exemplos. Foi  moralmente e eticamente  incorrecto nos gastos com o mesmo, não só pelo valor como pelos conteúdos, estando a falar de cerca de 20000€ ao ano em gastos. Mas na verdade não existe na ordem nada que o impeça de o fazer. Não há limite estabelecido nem em que circunstâncias se pode ou não usar o cartão. Mais , o enfermeiro Germano apresentou sempre facturas com o NIF da ordem a justificar esses gastos. E durante 4 anos assim se geriu uma ordem sem que os Enfermeiros desconfiassem do que por lá se passava
O discurso da Sra Bastonária em relação a tudo isto tem sido relembrar o que encontrou na OE, justificando se sempre com os actos dos outros . Logo está notícia apareceu na altura própria...


18. Ultimamente tem havido a percepção de que a OE está a entrar em "terreno sindical", como p. e na questão das 35h. Que análise faz deste facto? Não poderá isto vir a descredibilizar o sindicato perante os seus sócios e restantes colegas?


Parece-me que o problema não está na OE entrar em terreno sindical mas sim no facto de termos neste momento vários assuntos na enfermagem que os sindicatos têm estado pouco activos e que de facto estão a interferir com a dignidade da Enfermagem. Não conseguimos falar de qualidade de cuidados quando não temos recursos. Não podemos falar em especialistas ou novas especialidades se as mesmas não são reconhecidas pela tutela. Não podemos falar em fazer turnos quando não se paga essas horas de qualidade e recebe-se o mesmo quando trabalhamos em horário fixo. Nao se pode falar em cuidados de saúde primários quando temos desigualdades entre ucc , Usf , etc
Para mim o importante era a OE e sindicatos dentro das suas funções saberem dialogar, despirem-se do seu orgulho, da sua necessidade de se evidenciarem e trabalharem sim em conjunto pois as acções de uns levarão a acções dos outros e vice versa. Como estamos não vamos longe e mais ainda com os enfermeiros pouco motivados em participar também nesta união.

1ª Parte - Entrevista do PDDSE à Enfª Graça Silveira Machado, vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros



Se bem se recordam e para que não caia no esquecimento, há cerca de duas semanas vieram a público graves acusações de irregularidades nas contas da Ordem dos Enfermeiros (OE), através da reportagem da TVI: “As contas da Ordem”. Apesar do sensacionalismo habitual da TVI e de ter demonstrado mais uma vez, tal como em muitos outros meios de comunicação social, que desconhece o que é enfermagem, como se comprovou na jovem modelo enfermeira a olhar suspeita para um tubo de ensaio, como se de uma cientista, ou técnica de laboratório se tratasse, foi relevante essa reportagem. Nessa altura escrevi o último post – Polémica & crise na Ordem dos Enfermeiros, era um momento importante de registo obrigatório, era um momento de reflexão. Para minha surpresa recebo, pouco tempo depois, uma solicitação de mensagem via Messenger da pessoa do momento, Enfª Graça Silveira Machado, vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros! Cumprimentou-me e disse que apesar de alguns pormenores menos correctos, tinha gostado muito da última publicação. Obviamente eu fiquei em choque, nem sabia muito bem o que pensar, a colega que umas horas antes tinha aparecido em entrevista na TVI a relatar situações graves que se passavam na OE e que desde o primeiro minuto mereceu a minha consideração pela coragem que teve, estava a teclar comigo. Agradeci e acrescentei que a reflexão poderia estar incompleta ou menos correcta, porque o assunto OE era algo que sempre me suscitava interrogações, que não dominava. Prontificou-se a esclarecer. Nesta altura fez-se luz e pensei: tal como eu, muitos colegas têm dúvidas sobre o que se passou, têm dúvidas que envolvem a O.E, poderia ser uma oportunidade para o PDDSE brilhar e sugeri uma entrevista. Ela acedeu e aqui está, em primeira mão e exclusivo!

Apenas uma pequena nota prévia, principalmente para os leitores que desconhecem o Blog e porque não quero de todo que associem a entrevistada ao título do Blog. O “Porque deixei de ser enfermeiro” nasceu de um desabafo, de um desalento que por vezes sentia e sinto em relação à profissão e que julgo ser um pouco transversal a todos nós. Eu nunca deixei e nunca deixarei de ser enfermeiro, mesmo que deixe um dia a profissão. Amámos e defendemos a nossa classe, mas julgo que muitos de nós já viveram momentos de descrédito e desmotivação. Como forma de contrariar essas sensações, nascia o Blog. A Enfª Graça  Silveira Machado parece-me alguém que, tal como eu, ama e defende a enfermagem e que procura acima de tudo uma evolução para a classe.

1ª PARTE

1. Neste momento como define a sua situação na Ordem dos Enfermeiros (OE)?

Sou vice-presidente da OE eleita por sufrágio universal directo e secreto pelos Enfermeiros que exerceram o seu direito de escolha. Desde Janeiro de 2017, e a meu pedido na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), regressei à prestação de cuidados a 35 horas semanais na UCC onde estava colocada antes de ser eleita.

2. As acusações que faz são graves donde se depreende que tem provas. Em todo este processo qual é a sua responsabilidade enquanto vice-presidente?

A minha responsabilidade como vice-presidente e como enfermeira é mesmo essa. Após avaliar a situação e tentar corrigi-la internamente , será denunciar o que está errado, utilizando para isso todos os meios disponíveis. Ficarem, os Enfermeiros mais 4 anos na ignorância, não me parece ser correcto e como alguém diz muitas vezes, é pouco transparente.

3. O seu processo disciplinar foi-lhe levantado pelo Presidente do Conselho Jurisdicional (CJ)? Se sim, quais os fundamentos?

Não foi um, mas sim dois processos. Não pelo presidente mas pelo órgão - conselho Jurisdicional que, segundo referem na deliberação, ambos processos foram levantados em plenário, na reunião extraordinária de 20 Janeiro de 2017, tendo sido nomeados dois instrutores. Recebi as notificações a 1 de Fevereiro de 2017, datada por carta a 26 de Janeiro de 2017.
No 1º processo a notificação recebida é de abertura de processo de perda de cargo de vice-presidente do conselho directivo, referindo que foi deliberado em plenário, mas não recebi a dita deliberação. No mesmo informam-me que estou suspensa de funções - pouco compatível com o art.º 91 nº2 do estatuto da OE, mais... porque o processo de perda de cargo não é um processo disciplinar .
No 2º processo a deliberação proferida pelo plenário não me é entregue sendo-me apenas "enviado", referenciado como anexo, o relatório do processo de averiguações que de facto não veio, tendo eu pedido telefonicamente e recebido a 2/02 via email, pelo instrutor do processo. O relatório instrutor do processo de averiguações contém acusações de gravidade extrema, falsas e altamente injuriosas e difamatórias, razão pela qual apresentarei queixa-crime às autoridades competentes. Mais… nos termos do art 92 do Estatuto da OE existe uma natureza secreta na sua divulgação não respeitada pela digníssima Bastonária que por email aos ELOS (Elementos de ligação à Ordem) e posteriormente em redes sociais, mailing list etc, o divulgou. Ainda eu não tinha conhecimento dos processos disciplinares e já a Sra Bastonária anunciava. Aguardo a actuação do CJ, em relação a esta situação uma vez que houve uma denúncia, e segundo o estatuto OE , artigo 92 número 3 - O arguido ou o interessado, quando membro da Ordem, que não respeite a natureza secreta do processo incorre em responsabilidade disciplinar.
O relatório instrutor não constitui um despacho de acusação, sendo que nem sequer me foi dado prazo para defesa.

4. É verdade que o presidente do CJ foi pressionado para lhe levantar esse processo?

O presidente do CJ, desde que sai da OE a 19 de Novembro que me contactou várias vezes por telefone, por sms e uma presencialmente para saber se sempre eu iria renunciar ao cargo, referindo que assim não teria que me levantar um processo disciplinar para o qual estava a ser pressionado.

5. Para todos os efeitos legais ainda está no exercício de funções. Tem sido convocada para as reuniões?

Não. E também fiquei sem acessos quer da intranet, onde poderia consultar a ordem de trabalhos, documentos e actas, como também do meu mail da OE. De nenhuma destas situações me foi dado conhecimento. Também me retiraram as áreas a que estava atribuída sem me notificarem de tal. Mais… em cargos a que fui eleita nominalmente também por votação, após apresentação de CV e não por ser elemento da OE, como foi o caso do Fórum europeu dos cuidados de saúde primários, a digníssima Bastonária contactou a presidente do mesmo, via Skype e informou a mesma que eu tinha em curso um processo criminal de extrema gravidade pelo que seria bom para o fórum retirar-me do conselho consultivo para o qual tinha sido eleita. E assim foi!!! Ainda eu não tinha sido notificada pelo CJ e nunca fui notificada pela PJ até hoje por um processo criminal...

6. Ana Rita Cavaco era alguém da sua confiança e vice-versa, neste momento como caracteriza a vossa relação?

Conheci a Enfª Ana Rita há 4 anos quando fui convidada por um amigo e colega para fazer parte do projecto de candidatura à OE. Na altura convivi pouco com a Ana Rita, pois entrei a meio do processo. Perdemos essas eleições e pelos momentos conturbados que se viveram nos dias da contagem de votos houve de facto uma aproximação de ambas. Daí até há 2 anos antes das eleições de 2015 falei esporadicamente com a Ana Rita voltando a encontrar me com ela em tribunal pelo processo de anulação da eleição do mandato do Enfº Germano, no qual eu era testemunha. Encontrava-se nessa altura a Enfª Ana Rita a passar por um processo difícil da sua vida por perda de entes e encontrava-se de baixa.
Durante o ano de 2015, houve uma grande aproximação, passamos a ver-nos quase todos os dias e sim ganhei por ela uma amizade. Iniciamos também o percurso para estas eleições. Trabalhámos muito e intensamente o que obrigava a passar mais tempo com ela do que com a minha família. Ninguém nesta candidatura trabalhou para cargos. À excepção dos presidentes das secções e do vice-presidente Luís Barreira, ninguém sabia onde ou em que lugar iria estar nesta candidatura. Estávamos sim por um projecto de mudança em que partilhávamos todos o mesmo sentimento de insatisfação pelo que a Ordem nos deu sobretudo nestes últimos 4 anos. Partilhávamos também o facto de sermos orgulhosamente enfermeiros. Soube que ia ser vice-presidente quando em casa da Ana Rita se iniciou o processo de listagem de pessoas pelos órgãos para entrega da candidatura.
Aceitei com muita alegria como aceitaria qualquer outro lugar. Queria sim vencer e contribuir para uma vitória de mudança. Falar mais do que isto em relação a minha ligação pessoal com a Ana Rita é entrar na esfera privada, que eu preservo.

7. Afinal, alguém que está a tempo inteiro na OE de que forma é remunerado? (vencimento base da sua entidade empregadora de base e/ou vencimento fixo na OE e/ou ajudas de custo "fictício")

Para se estar a tempo inteiro ou parcial na OE é necessário pedir à tutela um acordo de cedência de interesse público. Depois de cedido cabe à instituição que te recebe pagar o vencimento - lei nº12-A/2008 de 27 de Fevereiro , capitulo IV art. 58 nº 2 - O acordo pressupõe a concordância escrita do órgão ou serviço, do membro do Governo respectivo, da entidade e do trabalhador ... e nº 3 - A cedência de interesse público sujeita o trabalhador às ordens e instruções do órgão ou serviço ou da entidade onde vai prestar funções, sendo remunerado por este  com respeito pelas disposições normativas aplicáveis ao exercício daquelas funções.
Assim, cabe a OE pagar o vencimento auferido na nossa instituição de origem. Para além disso existe uma circular normativa 9/2014 - reembolso de despesas em actividades da Ordem e ainda outra que estabelece as ajudas de custo no estrangeiro.
Quando iniciei funções a tempo inteiro na OE ,a 2/2/16, foi pedido através do assessor jurídico da digníssima Bastonária , o advogado Alexandre Oliveira, a minha cedência. Assim, a OE começou a pagar-nos o “vencimento” ainda mesmo sem alguns terem  o acordo de cedência efectuado, como se de um adiantamento de vencimento  se  tratasse (sem descontos).
Em Junho de 2016, ainda sem eu ter o meu acordo de cedência, a Sra Bastonária deu indicação para que a OE nos inscrevesse na ADSE e CGA e passássemos a receber como vencimento com os tais descontos. Na altura ,o que me foi dito pela responsável pelo processamento dos vencimentos (funcionária da empresa de contabilidade da Ordem desde Novembro de 2015- your concept)é que não me conseguiram inscrever na ADSE e CGA pois a ARSLVT  ainda não tinha dado autorização pelo que aguardaríamos pela mesma, não deixando de fazer os descontos, mas retendo-os na Ordem, para os devolver à  ARSLVT quando solicitassem.
Em fins de Outubro de 2016 venho a saber que a situação se mantinha sem fazerem a minha inscrição (e eu sem ter assinado qualquer acordo de cedência). Decidi então ir a secção de pessoal do meu centro de saúde para tentar perceber o que se passava e foi nesse dia (e com testemunhas) que vim a saber que os recursos humanos do meu ACES não sabiam onde eu estava e que ainda processavam o meu vencimento. Pior foi quando ali contactámos a ARSLVT na pessoa da Dra Luísa Fernandes, que me disse que não tinham conhecimento de nenhuma cedência. Assim fui a ARSLVT entreguei tudo o que tinha de documentos, referindo que ainda não tinha assinado o meu acordo de cedência. O dito vencimento pago pela ARSLVT estava a ser depositado numa conta que já não utilizava pois quando iniciei funções na OE, passei a utilizar uma conta do banco com que a OE trabalhava. Após a ARSLVT lançar a nota de liquidação, transferi o valor na totalidade para a mesma.
Recebi o meu contrato de cedência por correio a 20/01/2017, pelo gabinete da digníssima Bastonária, sendo que ironicamente o dito contrato de cedência supostamente iniciado a 2 Fevereiro de 2016 já tinha terminado a 31 de Dezembro de 2016, sendo que em 23 de Novembro do mesmo ano fiz um requerimento à ARSLVT para regressar ao ACES a  3 de Janeiro de 2017.

8. Como classifica as incongruências nas despesas apresentadas pelo vice-presidente Enfº Luís Barreira, denunciadas na reportagem da TVI?

Quando estamos a fazer algo incorrecto, é natural que os erros surjam. Fazíamos duas folhas diferentes de despesas. A verdadeira, ou seja, a que reflectia de facto as despesas efectuadas comprovadas com facturas com o Nif da OE e inclusive de viagens que realmente tínhamos feito (no caso do Vice-presidente Luís Barreira, que é de Braga, todas as sextas-feiras colocava a sua ida e depois a sua vinda para Lisboa no domingo). Essa folha normalmente era feita a computador pela secretaria do gabinete executivo, a quem entregávamos as referidas facturas e informações necessárias, tendo inclusive acesso à nossa agenda, sabendo das nossas viagens em trabalho. Depois fazia-se uma segunda folha de despesas à mão onde de 15 em 15 dias colocávamos viagens fictícias, em que os seus Kms dessem para justificar no total os 1400€. As folhas do Enfº Luís Barreira são prova exacta do que é fictício e do que é verdadeiro.
Estas folhas davam entrada directamente na  conferência de custos, departamento onde se valida as facturas, os Km realizados e transforma-os  em Euros, etc, sendo depois enviado para a tesouraria para processar o pagamento. Quando estes valores eram colocados no banco para serem pagos, com a rubrica “despesas”, recebíamos um mail (a digníssima Bastonária, os 2 vices-presidentes e o tesoureiro) da tesouraria para validarmos esses pagamentos na net banco sendo sempre necessário 3 assinaturas (digníssima Bastonária, um dos 2 vices-presidentes e/ou tesoureiro). É importante esclarecer que não se pode fazer qualquer transacção bancária, a excepção de consultas, sem ter 3 assinaturas (neste mandato são as que atrás referi) a autorizar as mesmas.
Esses valores foram aprovados logo na primeira reunião do Conselho Directivo (CD) baseada na circular normativa 2/12, como  ajuda de custos para os membros do conselho directivo, sendo proposto e aprovado por unanimidade: 2800 euros para a Bastonária, 1400€ para os vices, 467 para o tesoureiro e secretarias do CD e sugere-se 1400€ para os presidentes das secções. Surgiram após esta reunião de CD algumas dúvidas de como definir estes pagamentos, pois na verdade se fossem como ajudas de custo então não se poderia pagar deslocações, estadias , etc. Mas também não poderiam ser como remuneração, o que o novo estatuto já o permite, pois teria que ir primeiro à AG. Assim no mesmo mês de Fevereiro  passei um recibo verde. Em Março,  as indicações da Sra Bastonária era de que não se passava recibos verdes, mas fazia-se sim folha de Km até se arranjar uma solução legal. Assim o fiz até Novembro, sem que a dita solução aparecesse. Ora, estando a terminar o ano, não querendo incorrer num crime fiscal passei um recibo verde da totalidade desses valores até Novembro de 2016.

9. De que forma os elementos do CD se deslocam para as reuniões pelo país?

As deslocações de qualquer membro tem de ser aprovadas pelo Sr Tesoureiro, se forem do âmbito nacional via mail, e pelos presidentes das secções regionais no caso de actividades no âmbito regional, em que se tenta cumprir sempre a circular 09/14, onde o uso de viatura própria não está posta como primeira alternativa. Para os elementos do CD, pela necessidade de nos deslocarmos mais frequentemente e por vezes em cima da hora, essa autorização ficou permanente dada logo no início pelo Sr tesoureiro. Assim, eu por exemplo, utilizava muito o meu carro, mas dentro de Lisboa muitas vezes utilizava táxi. A Sra Bastonária utilizava também o avião principalmente para o Porto, onde também eu fui, uma ou duas vezes na sua companhia, sendo, por incrível que pareça, por vezes mais económico que qualquer outro meio de transporte. O Sr tesoureiro por exemplo, sempre que vinha a Lisboa usava  o comboio, à excepção de quando vinha ou ia de "boleia" com os colegas do Norte que utilizam o carro da secção do norte (já comprado no anterior mandato).
Para o estrangeiro também existem ajudas de custo definidas na circular normativa 05/14.

10. Considera justo o valor da quota paga pelos enfermeiros à OE, tendo em conta os vencimentos abaixo do expectável dos enfermeiros, o desemprego e o saldo bancário milionário da OE?

Não. Acho que a quota pode e deve ser de 7€. Do dinheiro das quotas a OE paga um seguro de responsabilidade profissional que fica a cerca de 3.5€ por enfermeiro. Somos muitos, logo se todos cumprirem o pagamento das quotas, 7€ é suficiente para se poder trabalhar em prol da enfermagem e dos enfermeiros. Os Desempregados, baixas prolongadas, já tem um tratamento especial quando justificada correctamente a situação.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Polémica & Crise na Ordem dos Enfermeiros

Passados alguns dias da polémica reportagem da TVI sobre a Ordem dos Enfermeiros (OE) e após ter colocado um pouco de água na fervura que sentia, com uma vontade imensa de insultar e partir tudo no que diz respeito à OE, é o momento mais adequado para reflectir.
Nunca fui grande admirador da OE, muito pelo contrário, como se comprova aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, mas também não poderemos ser assim tão negativos, alguma competência deve por lá haver... digo eu. Não parece, mas acredito que haja.
O meu problema com a OE tem e sempre teve, essencialmente, a ver com dinheiro. Sempre achei um absurdo o dinheiro que lá entra. São cerca de 7 milhões de euros por ano, mais de meio milhão por mês..., por isso todos estes desvios de que se fala são expectáveis, o que é que eles haveriam de fazer a tanto dinheiro??! Tinha que se dar um rumo aquela fortuna mensal e assim lá se ia tirando mais um vencimento em despesas de deslocação fictícias aqui e ali, apartamentos e estadias de luxo, roupas, cabeleireiros etc etc.
Isto já estava tão entranhado no sistema, que até pareceria natural e por sempre ter sido assim, assim continuou e numa coisa a senhora Bastonária tem razão, ela tem de facto vários inimigos, porque o escândalo já poderia ter vindo cá para fora há mais tempo, mas veio agora, por essa mesma razão.
Infelizmente já há muito tempo que ouço falar em esbanjamentos e desvios na Ordem, já desde o tempo do outro senhor. Alguém notou na sua cara de anjo inocente na reportagem? Então agora com a noticia do CM sobre uns largos milhares de bónus a que ele teve direito ao sair, bónus esse criado por ele mesmo, então aí é que confirmamos a sua inocência. Apesar da pouca credibilidade que o CM tem, já não é de agora que ouço falar nos luxos e abusos do Sr Ex-Bastonário, por pessoas com credibilidade e conhecimento de causa.
Voltando à Ana Rita Cavaco, até pode ser legal que ela vá comprar roupa de gala e vá ao cabeleiro porque tem um qualquer evento intitucional, mas é uma vergonha fazê-lo, sejamos honestos é um insulto a todos nós que pagamos quotas e bem que nos custa fazê-lo, porque somos mal pagos. Que arranje o cabelo em casa e que leve um vestido de um casamento qualquer, se quer ir de gala, que dê o exemplo, deixe-se de luxos e privilégios parvos. 
O absurdo e a falta de respeito ganham proporções maiores, quando a vice-presidente encostada afirma que a OE tinha decidido pagar os vencimentos dos enfermeiros requisitados para trabalho nas sedes, não seria necessário que o Ministério da Saúde ou das Finanças fizesse esse esforço, coitados, estávamos em crise e assim como assim há tanto dinheiro para gastar na OE. Apenas se esqueceram que esse dinheirito que foram poupar ao Estado é o dinheirito pago do bolso dos enfermeiros, membros da OE, esses mesmos enfermeiros que desde há mais de 10 anos têm sido colocados de parte por esses mesmos Ministérios, Ministérios esses que têm contribuído para a exportação de enfermeiros desempregados. Ou seja, estamos a pagar a quem nos pisa.
E por falar na vice-presidente e para responder aos defensores da OE e da Bastonária, já pensaram que tanto ela como o director financeiro sabiam dos riscos que corriam e mesmo assim assumiram com coragem e deram a cara? Ela assumiu e sabia que iria assumir que comia do mesmo prato e ele assumiu e sabia que iria assumir a sua conivência com tanto trapalhada, ou seja, eles já sabiam que também não iriam sair muito bem na fotografia, mas mesmo assim arriscaram em jeito de vingança, porque ao que parece o ambiente por aquele palacete é nauseabundo.
Vejamos no que isto vai dar, que se investigue, mas que se investigue a fundo, mas não sejamos ingénuos ao ponto de proteger a todo o custo a OE. Apesar da reportagem pouco cuidadosa, de mau gosto até, com o modelo da enfermeirinha a mostrar o soutien e a olhar feita parva pro tubo de colheita, muito lodo veio à tona e muito ainda há-de vir.
E enquanto isso, a Ana Rita continua a enviar-me pedidos para o Candy Crush Saga

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em Viana há um novo corredor na Urgência

(ATENÇÃO: ESTA FOTO É RETIRADA DA NET, NÃO SE TRATA DA UNIDADE MENCIONADA NESTE POST)

Em Viana já se pode correr livremente pelo corredor do Serviço de Urgência e as macas já circulam sem que sejam como um carrinho de choque.
Um mês após a publicação do post "Ainda se morre nos corredores das Urgências", onde procurei alertar entidades e acima de tudo cidadãos, sobre a decadência desta realidade que se vive um pouco por todo o país, é com dever de consciência e sentimento de felicidade que noticio que agora, pelo menos no nosso Hospital em Viana do Castelo, o risco de se morrer num corredor de Urgência é diminuto ou provavelmente nulo. 
Recentemente foi aberta, para os utentes do Serviço de Urgência deste Hospital, a Unidade de Decisão Clínica (UDC), que recebe os utentes que anteriormente aguardavam no corredor. Esperada e desenhada já há vários anos, esta é uma mudança que procura minimizar ou eliminar as precárias condições de conforto e vigilância dos utentes que esperavam, várias horas, até mesmo dias, por uma decisão clínica.
As condições não são como as noticiadas na SAPO, onde os utentes têm direito a uma cama, continua a ser uma maca, mas se a estadia do doente for curta, aceita-se. O problema está quando não o é, o que acontece com frequência.
Além da melhoria no que diz respeito à privacidade do utente, com a criação desta UDC realço outros improvements como a presença de luz natural e a sua forma estrutural em U deitado, o que possibilita para os enfermeiros, visão com campo aberto para todos, ou quase todos os utentes.
Relativamente ao número de vagas já ouvi versões diferentes, na mesma página da SAPO são 25, na Rádio Alto-Minho, já são 20, outros até falam à volta de 30. Lamento mas não disponho do número certo, o que disponho é da imagem da Unidade de Decisão Clínica de Braga e outros hospitais quando estão a abarrotar, por isso em alturas criticas, ou há a capacidade de drenar eficazmente os utentes, ou voltamos ao mesmo e acabamos a dar razão aos mais cépticos que mesmo com a criação da UDC não acreditam que a médio, longo prazo, deixarão de haver doentes nos corredores da Urgência em Viana. Eu sou mais optimista, daqui a meio ano falamos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ainda se morre nos corredores das Urgências


Em pleno séc. 21, quando pensamos e quando se diz que temos um país avançado em cuidados de saúde, continuam a morrer doentes encostados nos corredores dos Serviços de Urgência dos hospitais portugueses.
Somos capazes de ser reconhecidos internacionalmente em sexologia clínica e cirurgia laparoscópica e ter as melhores Unidades de intervenção de cirurgia cardíaca e gastroenterologia, mas somos os piores no básico e fácil, que é proporcionar dignidade a doentes idosos numa fase final de vida, deixando-os morrer isolados, num corredor, sem que ninguém consiga dar por isso.
E de quem é a responsabilidade?
É dos profissionais de saúde? Não. Com os serviços caóticos ninguém lhes pode apontar o dedo, apesar de correrem sérios riscos de que o façam.
Dos hospitais? Podem eventualmente ter alguma responsabilidade, mas na minha optica não se pode atribuí-la a 100% quando não se oferecem condições a nível de recursos humanos e de infraestruturas.
Do cidadão? Também é, ainda não percebeu que não pode ir à Urgência por qualquer motivo.
Do Estado? Sim. A responsabilidade destas mortes é do Estado que ainda não consegui encontrar alternativas para os serviços de Urgência, não aumenta os recursos humanos e não renova as infraestruturas, preferindo canalizar o dinheiro para, por exemplo, salvar bancos

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Ó homem...!!

                   
Fico preocupado quando vejo profissionais a iniciarem carreiras na saúde , já tão rudes no trato. Aquele genero de pessoas que quando querem pedir algo falam com suavidade e educação, mas quando são abordados respondem daquela forma estridente, nervosa, negativa e mais grave do que isso, desrespeitosa. Aquele genero de pessoas que comunica mediante a aparência e eloquência do outro. Se for alguém de aparência humilde, que baixa a cabeça em sinal de reverência e fala num tom tímido e hesitante, a resposta vai ser do tipo oposto a tudo isso - arrogante e desrespeitosa. Se o emissor for alguém engravatado, bem penteado e de voz firme e colocada, a resposta já vai ser bem moderada e educada. 

Aquele genero de pessoas que só diminui o nivel de estupidez quando alguém lhe responde à altura.
Esse genero de pessoas incomodam me profundamente, apetece-me esbofeteá-las.
É este genero de pessoas que, perante alguém que procura resposta sobre a situação do seu familiar, responde :
Ó homem, já lhe disse que a sua mãe vai ter alta porque bla bla bla bla bla bla e bla bla bla bla bla ble. 

Isto dito a alguém que tem idade para ser seu pai. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Injustiça Racial (uma questão de rácios)


A gestão de recursos humanos é provavelmente a pasta mais complexa numa administração hospitalar. Definir os rácios ideais para uma Unidade, mobilizar e integrar trabalhadores aos quais lhes foram atribuídos "serviços moderados", são alguns exemplos que comprovam essa complexidade.

No meu hospital (e em qualquer hospital) poucas são as Unidades que requerem "serviços moderados" e muitos são os trabalhadores com "serviços moderados".
Ora, isto é um problema grave, que causa sérios desequilíbrios na "produção" hospitalar e que conduz aquilo que eu denominarei de Injustiça "racial". Não se refere a raças ou racismo, mas sim a rácios!
Injustiça "racial" para mim é encontrar, por exemplo, Unidades com mais de 30 doentes internados, muitos deles totalmente dependentes, para 2 enfermeiros e 1 assistente operacional e no lado oposto, Unidades de consulta (maioritariamente) médica, com 3 enfermeiros e 2 assistentes operacionais. Estará tudo invertido?!

As primeiras, como disse, têm internados vários doentes acamados, com necessidade de uma multiplicidade de cuidados e como este blog não pretende ser apenas para profissionais, passo a enumerá-los de uma forma básica e fria:
posicionamentos na cama para evitar escaras;
levantes da cama e mobilização, para evitar atrofia muscular e monotonia p.e, para o doente;
massagem corporal;
administração de medicação; soros e sangue, entre outros
avaliação de sinais vitais;
pensos simples e complexos, como por exemplo a escaras profundas;
cuidados de higiene (total ou parcial por rotina ou as vezes que forem necessárias) e conforto a doentes totalmente dependentes, assim como ajudar/supervisionar os mesmos cuidados a doentes com alguma autonomia;
alimentar doentes dependentes via oral ou via sonda;
cuidados a traqueostomias, colostomias, etc
quando necessário, algaliar, colocar sondas no tubo digestivo, sondas rectais, cateteres nas veias, aspirar secreções através de uma sonda e aspirador respiratório;
colher sangue para análises;
reanimar doentes que entram em colapso cardiaco e/ou param de respirar;
registar num computador tudo isto e muito mais;
fazer trabalho administrativo, como por exemplo organizar papeladas e atender telefones, entre outros;
fazer a admissão de doentes (questionário/avaliação de vários parâmetros);
fazer ensinos aos doentes e família, preparação para alta;
colaborar em técnicas médicas específicas;
transferir (acompanhar) doentes interna e externamente e at last but not at least;
ouvir o doente, dialogar com o doente e dar-lhe a mão quando ele(a) assim precisar/quiser, coisas que alguns acharão básicas mas imprescindíveis, que aprendemos ao longo da nossa vida, académica ou não, que aprendemos nos congressos de Ética, Cuidados Paliativos, Dor, etc e que no final todos batem palmas (gestores, administradores e porventura ministros incluídos) e chegam à conclusão que não se faz mais porque não há tempo, nem pessoal, enfim... outros assuntos.
Todo este trabalho (e mais algum que decerto esqueci) é efectuado pelos enfermeiros (dois), com a colaboração sintonizada de assistentes operacionais (um) que, para além disso, têm sob a sua responsabilidade funções de mensagueiro, limpeza de instalações e dispositivos, etc. Isto tudo para um turno de 8 horas.

As segundas (para quem já perdeu o fio à meada, é favor ver o final do penúltimo parágrafo), são Unidades de consulta, onde o trabalho de enfermagem e de assistentes operacionais, é importante mas periférico, ou seja, o que conta efectivamente ali são os actos médicos, que obviamente precisam do apoio do enfermeiro e assistente operacional, mas não passa disso... apoio e pouco mais. E que me desculpem os mais sensíveis, mas é a percepção que tenho.

Nas primeiras vemos enfermeiros stressados, num correrio para tentar cumprir em benefício do doente, enfermeiros que muitas vezes passam e atrasam as suas próprias refeições e saem em desgaste das Unidades para casa, passado meia ou uma hora da hora que deveriam sair e vemos enfermeiros irritados com as condições de trabalho e que aderem em bloco às greves.

Nas segundas vemos enfermeiros relaxados, várias vezes sentados, aparentemente com um volume de trabalho perto do moderado e que raramente ou nunca fazem greve, porque irritação e indignação no trabalho é coisa que não lhes assiste. Ainda bem que assim é e que assim seja, pois não desejo isso a ninguém.
Não me oponho a que estes colegas estejam sentados, relaxados, até nem me oponho aos rácios que têm. Oponho-me sim é aos rácios das primeiras.

Infelizmente há alguns exemplos de injustiça "racial" nos hospitais. Um que considero demasiadamente grave é no meu contexto profissional e que talvez já tenha sido aqui abordado várias vezes: número reduzidíssimo de assistentes operacionais (vulgarmente designados auxiliares e maqueiros) que desempenham um vasto leque de tarefas, que não é necessário estar a enumerá-las e o que acontece diariamente é ter que procurar e esperar por um assistente operacional, porque efectivamente eles estão sobrecarregados e não se conseguem multiplicar para responder ao volume de trabalho que este contexto (Urgência/Emergência) requer. Por outro lado, vou a um Serviço de Obstetricia, onde encontro sempre várias assistentes operacionais em.... digamos, stand by.
Para reflectir...
Abraço!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Greve 13 e 14 de Outubro - Água mole em pedra dura tanto bate até que fura



Compreendo aqueles que dizem que estão cansados de tanta greve. Todos estamos, ninguém as quer, mas enquanto não virmos alguma evolução no sentido de chegarmos aos objectivos que todos consideramos mais que justos, as greves e a sua continuidade são inevitáveis.
Não compreendo aqueles que dizem que nada se consegue, porque algo se consegue sempre. Por muito pouco que possamos considerar que seja, uma simples pressão faz pelo menos com que nos sentemos e discutamos com aqueles que têm o poder de decisão.
Não consigo compreender aqueles que não fazem greve. Só conseguiria perceber, se fossem contra admissão de mais enfermeiros, contra as progressões, aberturas de concursos para principais, contra a reposição do valor das horas de qualidade, pagamento de h. extra, etc etc, (ver comunicado) mas decerto não o são. Então porquê?
"Porque trabalhamos mais que num dia normal e ganhamos menos!"
ERRADO! Trabalham mais porque são cobardes, porque têm receio de assumir que não fizeram determinado procedimento, porque tal procedimento não é uma necessidade impreterível, não é uma emergência para a saúde daquele doente e o "ganhar menos" é outro mito, porque quem faz greve e assegura os cuidados mínimos as 8 horas do seu horário normal, vai receber o seu vencimento na integra. 
Temos a razão e a lei do nosso lado, porque razão haveremos de nos colocar uns contra os outros, porque um faz greve e outro não faz e o que não faz tem o direito a ser rendido e fica indignado porque o colega que faz greve também tem um direito que prevalece sobre o seu, o direito à opção de não o render e este por sua vez também fica indignado porque está a lutar e a defender um princípio que provavelmente o seu colega não grevista também defende.